<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011445352831091131</id><updated>2012-02-16T15:49:10.809-02:00</updated><title type='text'>Sistema Não-Linear</title><subtitle type='html'>Educação - Literatura - Tecnologia - Mobilidade</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011445352831091131/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Admin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>5</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011445352831091131.post-8794534077661494851</id><published>2010-06-01T21:04:00.005-03:00</published><updated>2010-06-01T21:33:33.506-03:00</updated><title type='text'>Em Nome de Deus</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   Sobre o Filme &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Stealing Heaven&lt;/span&gt; de Clive Donner, 1988. 115 min.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A comparação entre Sócrates e Pedro Abelardo parece, à primeira vista, uma tarefa plenamente factível, pois o personagem de Platão, em seus diálogos, busca através da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ironia &lt;/span&gt;e da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;maiêutica&lt;/span&gt;, uma verdade superior. Neles, pode-se entrever Sócrates cercado por seus discípulos em intermináveis discussões, assim como vimos no filme Abelardo a discutir com seus alunos. Além disto, podemos justapor a proximidade que Sócrates estabelecia com os estudantes, àquele de Abelardo com os seus discípulos. Todavia à medida que se avança na justaposição comparativa, mais as diferenças se intensificam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Torna-se imprescindível, portanto, traçar um perfil de Sócrates mais acurado que o “herói” frequente dos diálogos platônicos. Na comédia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;As Nuvens&lt;/span&gt;, Aristófanes refere-se a este outro espectro de Sócrates, cuja caricatura mostra-se diversa daquela à qual nos acostumamos nos textos platônicos: ele é descrito como desajeitado, vive em um mundo de fantasias filosóficas e é pouco afeito aos problemas do mundo cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Fisicamente é um homem fraco, feio, de tez pálida e, humilhado por sua esposa Xantipa (1). Encerra-se em uma vida de promiscuidade, repleta por jovens que pretendem aprender com ele a arte da palavra. Claramente, portanto, se faz o tipo de relação que se estabelecia na companhia socrática pela citação do "cu alargado" dos filósofos gregos (sofistas e fisiólogos):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;a conduta filosófica é acusada dessa passividade, pois é o lógos injusto é o porta voz dos ensinamentos socráticos e o apologeta da nova educação, cuja pele amarelada, os ombros estreitos, a língua grande e o pênis comprido são os frutos colhidos por seus aprendizes. De modo que nessa comédia, além da identificação de Sócrates às explicações dos físicos, à conduta sofística e a posição divina contraposta à efemeridade ele também é descrito como um "cu alargado".   (2)&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;    &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quem melhor representa o Sócrates histórico, ou com qual destes traçaremos um paralelo, indaga-se à maneira do pensador Aberlado?&lt;/span&gt; Assim, se fez necessário pensarmos antes em um paralelo entre o Sócrates platônico e o Sócrates aristofânico, para só então refletirmos sobre a presença de Sócrates na didática de Abelardo. Se em Aristófanes há pouco do que descreve Platão, o quanto encontramos em Platão que se coaduna com a comédia de Aristófanes? Aos poucos descobrimos que sim: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;há certas menções ao caráter de Sócrates que muito lembram ao ridículo do texto aristofânico&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Lembremos em o Banquete, Sócrates tomado pelo seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;δαίμων&lt;/span&gt;, em gesto de excentricidade, deter-se perante uma porta. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele era assim&lt;/span&gt;, diz o texto, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e não se lhe devem estranhar os modos&lt;/span&gt;. Em Górgias, encontramos a recusa à conformação com o ideal da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pólis&lt;/span&gt;, a saber: um homem livre, capaz nas assembléias e na arte da Guerra; é Sócrates similar a uma mulher ou a um escravo.&lt;br /&gt;   Comenta-se ainda que um adulto que se comporte como uma criança deveria ser açoitado para que se comportasse como adulto. Sócrates não é o adulto, e sim criança que é açoitada pela &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pólis&lt;/span&gt; e condenado à morte por seu agir infame, inútil e corruptor.&lt;br /&gt;    Então, pensemos o tempo em que o Sócrates histórico viveu: lembremos que não possuímos um texto sequer de sua própria autoria, ele é um filósofo cuja contribuição apenas nos chega de segunda mão. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O que ocasionou a falta de registros escritos deste pensador fundamental à filosofia ocidental? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Reale (3)  nos esclarece que neste momento a cultura grega era, primeiramente oral e, a escrita não era tida como capaz de revelar conhecimentos de ordem superior. Platão mesmo revela esta &lt;span style="font-style: italic;"&gt;resistência&lt;/span&gt; em seus diálogos quanto à sua &lt;span style="font-style: italic;"&gt;filosofia última&lt;/span&gt;, considerando o texto escrito como mero &lt;span style="font-style: italic;"&gt;auxílio mnemônico&lt;/span&gt;. Para ele não se pode aprender as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;verdades últimas&lt;/span&gt; a não ser pela &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dialética&lt;/span&gt;. Sócrates foi, portanto, representante de uma Grécia mais antiga que a de Platão, precursor do Sócrates platônico é, ele mesmo, um pré-socrático, cuja expressão filosófica se deu por meio exclusivamente oral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Na Idade Média de Abelardo, presenciamos uma burguesia emergindo, procurando as Universidades já instituídas de modo a aprimorar conhecimentos de cunho lógico-metafísico – muito diferente do cidadão ateniense que procurava os sofistas para tornarem-se hábeis, oralmente, em uma assembléia democrática. No filme, vemos a dialética ocorrendo como um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;jogo despreocupado&lt;/span&gt;, algo que seria, totalmente, rejeitado pelo Sócrates da República. Ele considera a dialética como algo a ser apenas ensinado após atingida a plena maturidade. Pois, o uso indevido deste instrumento pelo jovem, o fará descrer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;de tudo&lt;/span&gt;, ou seja, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;jogo das palavras&lt;/span&gt;, tornar-se-á nocivo para si e, para a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pólis&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Pedro Abelardo, na versão cinematográfica, está muito além do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;universo grego&lt;/span&gt;. Encontramo-nos em uma sociedade deveras diferente em sua estrutura social, assim como, o medievo tratava a perspectiva filosófica de outra maneira. Tanto o herói Abelardo, como o personagem histórico, são cristãos e, sua filosofia prestava-se a desvelar a realidade sob uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;iluminação&lt;/span&gt; de fundo religioso, ou seja, a colocava a serviço do esclarecimento das escrituras bíblicas (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ancillae Philosophicae&lt;/span&gt;). De fato, seu método consistia em analisar diversos pontos de vista reflexivo-religiosos, o que tornar-se-ia a base do Ensino Escolástico. Assim, permitia que seus discípulos co-participassem do jogo conceitual, cujo objetivo se mantinha entre o filosófico e o místico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Em Sócrates, a filosofia não está a serviço de, é o meio de elevação a verdades cada vez mais plenas, isto é, o método dialético não abandona o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;iniciado&lt;/span&gt;, até que este alcance a contemplação última.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Esta revelação é a verdade intuída apenas pelos mais capazes e, após grandes e violentos esforços contra a própria natureza. Entenda-se verdade e natureza, grosseiramente falando, como a antítese entre a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ἐπιστήμη&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;φύσις&lt;/span&gt;, sombras que iluminam toda realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Não há algo similar no mundo de Pedro Abelardo, posto que a verdade é um saber místico e é conhecida de antemão e, para a filosofia cabe torná-la apenas apreensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O uso da ironia, portanto, não deveria destruir o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;conhecimento religioso&lt;/span&gt; já constituído para atingir um de maior valor pois, o exercício dialógico deve antes construir andaimes para sustentar o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status&lt;/span&gt; do saber religioso medieval. Logo, não se pode ver a formação do homem medieval à formação do cidadão grego, como paralelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;As Nuvens&lt;/span&gt; temos um jovem guerreiro que despreza a filosofia, pois esta torna os homens fracos e semelhantes a mulheres, efeminados, e este jovem não deseja viver entre os discípulos de Sócrates mesmo que pudesse obter meios para, ludibriando o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lógos&lt;/span&gt;, saldar as dívidas de sua família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O homem grego(4)  é hábil no uso da palavra para seu benefício próprio, como lê-se, no texto homérico quanto à astúcia do Odisseu, ao conquistar (ou se safar!) de maneira sub-reptícia no decorrer de sua mirabolante viagem. Ulisses representa a visão grega de mundo possível e real.&lt;br /&gt;O homem medieval vê tal astúcia como baixeza de caráter, melhor representado no filme pelo tio cônego de Heloísa, um homem vil (de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vilão&lt;/span&gt;, ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vila&lt;/span&gt;) e comerciante pérfido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O primeiro pretendente oferecido a Heloísa não representa também o ideal de formação do homem no século XI. Este último é bruto, embora de linhagem nobre, está muito aquém do que espera a jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Parece que o homem idealizado neste período, deve conter elementos de nobreza e/ou da cavalaria medieval, associados ao saber &lt;span style="font-style: italic;"&gt;escolástico&lt;/span&gt;. Por isto entendemos que a procura pelas Universidades pretende certo aprimoramento, seja do nobre ou do burguês, a um patamar que une poder e saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Neste sentido, as aulas "abertas" de Abelardo se inserem como meio de formação desta população seleta. O sentido de Universidade parece apontar mais para uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;performance &lt;/span&gt;do que para um local onde acontecem as aulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   As instituições universitárias hoje estão ligadas aos prédios, à estrutura do campus e à acumulação de informações, não aos atos de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lecionar &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aprender&lt;/span&gt;, que parecem ter sido o sentido primevo de Universidade. Assim, se depreende, que o modo de ensinar foi por muito tempo pautado pela repetição de conteúdos e saberes fundados sob a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;autoridade&lt;/span&gt; e, a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;antiguidade&lt;/span&gt; como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;critérios de verdade&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A dialética do método didático de Abelardo é apresentada como diferenciada, pois "ele permite aos alunos falar" durante as lições (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;disputatione&lt;/span&gt;). Isto significa que questionar estes &lt;span style="font-style: italic;"&gt;saberes &lt;/span&gt;era algo pouco convencional (embora não fosse apenas Abelardo que agisse assim) entre os mestres da época, colocando Abelardo como re-introdutor de um modelo que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lembra vagamente &lt;/span&gt;o de Sócrates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O filosofar de Pedro Abelardo e seus discípulos destoa muito da Idade Média representada parcial e equivocadamente pelo senso comum: penumbras, escuridões e bruxas. Todavia, a jovialidade e a intensidade com que aqueles personagens dialogavam entre si, são equiparáveis (no filme) ao compromisso erótico estabelecido entre Heloísa e o amante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Os pactos educacionais e eróticos assumidos, acabam por intensificar os interesses da igreja, sem considerar o papel do pensador nas “universidades”. O exercício do filosofar anula a união de ambos, mas inicia e agrega uma nova filosofia pautada no discurso de Abelardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O corpo performático do Homem e do filósofo não são excludentes, pois eles se complementam. Em síntese, a sexualidade na Idade Média é transcrita e inscrita nesta tensão pungente entre o pseudo caráter místico-religioso-eclesiástico e a tentativa frustrada da negação do corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Tal instauração engendrada na negação do corpo pode ser entrevista no filme &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Nome da Rosa&lt;/span&gt; que, ao descrever o horror ao risível, revela o deslumbramento pelo prazer, supostamente eclipsado pelo espírito da época. Assim o filosofar alegre e, muitas vezes, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;impiedoso&lt;/span&gt; de Pedro Abelardo e seus discípulos contrasta muito com o que imaginamos como educação na Baixa Idade Média porque, em geral, traduzir o Medievo evoca imagens penumbrosas e rostos circunspectos ao estilo do filme de Jean-Jacques Annaud, naquele, raramente lembramos, como muito bem o fez o diretor Clive Donner, que havia também alegres manhãs de sol, e não só para o filosofar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(1) Como bem relata Diógenes Laércio em sua obra &lt;/span&gt;Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres&lt;i&gt;&lt;br /&gt;(2)   AGOSTINI, Cristina de Souza. A construção de um Sócrates risível. Revista Itaca, Revista de pós-graduação em filosofia IFCS-UFRJ. Número 8/2009. Pg. 43 a51.&lt;br /&gt;(3) REALE, Giovanni. Platão. Nova ed. corr. São Paulo, SP: Loyola, 2007. xiv, 309 p.&lt;br /&gt;(4) Diferentemente do romano, como se pode, facilmente depreender das obras de Virgílio.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5011445352831091131-8794534077661494851?l=meusistemanaolinear.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/feeds/8794534077661494851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/2010/06/em-nome-de-deus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011445352831091131/posts/default/8794534077661494851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011445352831091131/posts/default/8794534077661494851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/2010/06/em-nome-de-deus.html' title='Em Nome de Deus'/><author><name>Admin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011445352831091131.post-3921758053138953532</id><published>2009-11-07T12:21:00.003-02:00</published><updated>2009-11-09T10:03:57.691-02:00</updated><title type='text'>Memórias de Tadzio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;          A primeira vez que o vi foi em um café próximo ao teatro, como tantos jovens intelectuais, passara a freqüentar aquele lugar com um pequeno livro e alguns trocados no bolso, suficientes para  apenas um ou dois expressos. Ele sentava próximo à janela, lia o jornal, como tantos velhos que também freqüentavam ali, mas notei que ele mantinha o interesse nas pessoas, como  se aquele jornal fosse um disfarce para seu verdadeiro passatempo:  observar.&lt;br /&gt;        Já havia cerca de quarenta minutos que o observador estava sendo por mim perscrutado, e, acredito que ele já sentira a invasão em seu pequeno mundo com meus olhos sobre ele. Logo pagou a conta e saiu. Não pensei muito naquele dia, até que descobri, semanas depois, o velho em meio aos músicos e soube que ele fora maestro da sinfônica, agora aposentado. Ele, ao me  ver, mostrou certa satisfação, ainda que sutil, e me pediu para assumir meu lugar junto ao segundo violino.&lt;br /&gt;        Após o ensaio, ele foi aplaudido e deixou o teatro discretamente. Eu o segui a certa distância até o momento em que ele se sentou na mureta do jardim para fumar um cigarro. Sentei-me próximo dele e falei-lhe alguma tolice, pois nada sabia da importância ou não, daquele homem para formação da sinfônica do Estado.&lt;br /&gt;        Ele me respondeu de forma distante e pouco a vontade, não muito interessado em suas glórias passadas, me deixando também em certa confusão sobre o que falar a seguida. Esta foi a primeira vez que nos falamos e foi sobre nada, apenas expusemos a própria existência de um ao outro.  Mas desde ali me interessei particularmente por aquele senhor e passei a devotar algum tempo a persegui-lo como fosse este meu próprio passatempo.&lt;br /&gt;        Sempre o procurava no Caffè, nas apresentações da orquestra, nos bastidores dos ensaios, até que nos tornamos, se posso assim dizer, amigos. Passei a freqüentar a casa dele, ouvir longas sinfonias de suas gravações em vinil, a acompanhar seus gostos exóticos pelos chás, até comecei a fumar. Foi um momento no qual senti o quanto  ambos fazíamos bem um ao outro.&lt;br /&gt;        Adquiri certa familiaridade com seus modos, muitas vezes ríspidos, outras vezes gentis e, passei a amar aquele velho, solitário e cheio de manias, rude e orgulhoso. Acredito que ele também passou a me amar, aos poucos, à medida que compartilhava cada vez mais coisas comigo, me permitia viver mais à sua sombra, me deixava sentir o hálito da idade e do seu cigarro.&lt;br /&gt;        Apaixonamo-nos, sem querer, sem forçar nada, deixei seu braço me amparar com forca, trocamos olhares e o beijo saiu. Ele chorou, pediu desculpas. Eu não sabia o que fazer, ajoelhei-me em frente a ele e o beijei de novo. Na semana seguinte passamos a viver juntos, era como se os cinqüenta anos que nos separavam desaparecessem, ele jovem novamente, como eu, em um vigor viril intenso, e um cavalheirismo ímpar.&lt;br /&gt;        E ele mudou também, passou a me falar de coisas de sua vida, me contou suas historias, seus sentimentos, me falou de lugares, sempre fazia questão de frisar os detalhes de cada lugar, as cores de cada paisagem, como se eu pudesse absorver a essência de cada uma de suas experiências.&lt;br /&gt;        Contou-me sobre Veneza, e de como deixava-se perder em divagações frente ao mar, contou-me de Nova York e de como ouviu as sinfonias de Mahler, frisou as cores de Paris na primavera seus aromas, seus cafés, como se fosse um guia turístico me apresentando um tour.  Entretanto, o mais estranho foi como me ensinou o quanto a vida é uma aventura inútil e, como  pode-se extrair prazeres dentre toda essa banalidade.&lt;br /&gt;        Com ele aprendi a sentir o sabor da comida, a saber o gosto do tempo e da luz, os significados dos cheiros, acho que minha vida foi profundamente enriquecida com seus setenta anos de experiência e, acho também que ele passou a ser um pouco mais jovial para com o mundo pois, eu acreditava que ele se fortalecia em mim: minha juventude o dava alento para viver novamente, para abandonar o tédio e se divertir como em seus momentos de prazer tão vividadementes descritos e, talvez permitir novos a ingressarem na lista.&lt;br /&gt;        Por tantas vezes o vi me observar me divertir, ele ao longe, me permitindo aventurar-me, pois sabia que sempre retornaria à segurança de seus braços, nunca foi ciumento, era como se este sentimento não existisse nele, e acho que hoje entendo um pouco isto também.&lt;br /&gt;        Ainda o vejo sentado em uma cadeira de praia lendo o jornal e eu na piscina seduzindo um jovem, o quanto isto o divertia e excitava. Mas algo que nunca compreendi era que ele me dizia adeus, desde aquele dia no Caffè, tudo foi um grande gesto de adeus, e tudo o que me disse, me ensinou, foi um modo de sobreviver, ele me adestrou na arte de viver e, de morrer.&lt;br /&gt;        Agora quando escrevo estas linhas, alguns minutos após seu suicídio, entendo, que ele me esperava, esperava alguém a quem pudesse comunicar tudo o que viveu antes de deixar o mundo, e sua jovialidade, a alegria de ter deixado tudo em seu lugar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5011445352831091131-3921758053138953532?l=meusistemanaolinear.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/feeds/3921758053138953532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/2009/11/memorias-de-tadzio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011445352831091131/posts/default/3921758053138953532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011445352831091131/posts/default/3921758053138953532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/2009/11/memorias-de-tadzio.html' title='Memórias de Tadzio'/><author><name>Admin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011445352831091131.post-8205902185123244891</id><published>2009-02-16T11:35:00.009-03:00</published><updated>2009-04-09T11:35:47.746-03:00</updated><title type='text'>O Mundo é Plano</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O livro de Friedman: &lt;a href="http://www.thomaslfriedman.com/bookshelf/the-world-is-flat"&gt;The World Is Flat: A Brief History of the Twenty-first Century&lt;/a&gt;, causou um agradável mal-estar frente ao natural assombro que a partir da década dos noventas vínhamos sentindo, devido em grande parte à revolução das comunicações. Apesar de termos vivido toda essa revolução ainda não nos demos conta de como e em que extensão o mundo foi transformado. Agradável porque nos esclareceu alguns pontos chave e nos deu a sensação de um certo sentido histórico. Mal-estar porque não fica claro que não mais é possível pensar o mundo do modo que fomos preparados para pensá-lo. Novas regras passam a valer mas regras antigas subsistem em amplos setores econômicos e sociais. Algumas idéias são importantes para se pensar:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul style="text-align: justify;"&gt;&lt;li&gt; A emergência do inglês como idioma padrão internacional, desde as transações comerciais às publicações científicas; &lt;/li&gt;&lt;li&gt;Nichos de mercado revelados pela assumção da dependência econômica entre as nações ricas e em desenvolvimento (BTW, nesta perspectiva o Brasil não está em desenvolvimento);&lt;/li&gt;&lt;li&gt;O &lt;a href="http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=990CE5DB1630F93AA15751C1A960958260"&gt;paradigma mudou&lt;/a&gt; e o status de setores de mercado, nações e mesmo pessoas, foi reduzido a um ponto inicial, de forma que atualmente é uma época preciosa para apostar em inovações, modos alternativos de relacionamentos comerciais, planos de desenvolvimento nacionais;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Fronteiras e nacionalidades perdem seu sentido tradicional, o poder do indivíduo aumenta;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Hiper-presencialidade&lt;/span&gt;: por meio de tecnologias pessoas de mais diversas localizações geográficas podem se unir para o desenvolvimento de projetos, em suas casas ou escritórios ao redor do mundo, com o mesmo entrosamento antes obtido somente através de cansativas reuniões. São exemplos as VPNs, Foruns, teleconferências (hoje possíveis até através de celulares 3G), bancos de dados interfaceados com a internet, equipamentos como &lt;a href="http://ceticismo.net/2009/03/05/a-fusao-de-mente-e-maquina-chegou/"&gt;braços mecânicos operados remotamente&lt;/a&gt;.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;O dia tem 24 horas em substituição ao &lt;a href="http://www.imdb.com/title/tt0080319/"&gt;9-5&lt;/a&gt; da década de 80. À medida que o globo gira, o trabalho pode ser continuado por diversas equipes ao redor do planeta.&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Explica uma razão porque as escolas não mais fazem sentido hoje: elas repetem um modelo que não satisfaz nem as exigências individuais dos alunos, nem do mundo. Trata-se o aluno como sujeito passivo do processo educacional e pretende-se que ele se torne cidadão, abarrota-se o professor de burocracia, instituem-se inumeráveis recuperações, e o professor acaba alienado de sua posição de mestre em prol de uma posição meramente formal de cumprimento da rotina. Resultado: as escolas são apenas depósitos de alunos.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;Transparência da tecnologia: os meios tecnológicos tornaram-se onipresentes, desde o sensor de movimento que ativa a lâmpada na escada do edifício ao telefone celular, ninguém mais estranha a presença destes elementos, e eles se tonam cada vez mais invisíveis em si, i.e., percebe-se o serviço prestado pelo equipamento, não o hardware. Hoje você pode acessar a web usando Unix, OS X, ou Windows com a mesma experiência, às vezes nem mesmo se dando conta de que está frente a um Mac: há versões do navegador Safari para iPhone, Mac ou Windows! A caixa grande e barulhenta em salas climatizadas, ligado em terminais de monitores fósforo verde e que na década dos 80 (e ainda nos 90 neste Brasil) precisávamos agendar com meses de antecedência para rodar aquela simulação que tanto necessítávamos para nossa pesquisa, foi substituída por uma infinidade pequenos dispositivos como "netbooks" (segundo a Psion não devemos usar este termo, &lt;a href="http://www.engadget.com/2009/02/25/intel-also-sues-psion-over-netbook-trademark-general-stupidit/"&gt;saiba o porquê aqui&lt;/a&gt;), PDAs, Smartphones, acessíveis por menos de US$1,000, de uso intuitivo (ou será que nossa intuição foi quem se adaptou?), e com poder de processamento muitas vezes superior.  Quem pensou em buscar no Google para descobrir a idade da cantora brasileira Sandy? E em usar o celular para isso? Isto se torna cada vez mais corriqueiro, veja este post do Cardoso &lt;a href="http://www.contraditorium.com/2009/01/09/evoluir-tambem-tem-seu-preco/"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Transparência em tecnologia acontece quando a  utilizamos como uma extensão de nossas capacidades naturais.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abaixo está um video com o autor falando sobre sua pesquisa para construção de "O Mundo é Plano" alunos do MIT.&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;div style="padding-left: 0px; display: none;" ontop="true"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="padding-left: 0px; display: none;" ontop="true"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="padding-left: 0px; display: none;" ontop="true"&gt;&lt;/div&gt;&lt;embed src="http://blip.tv/play/AerQGJD8RA" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="500" height="311"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;/ul&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.hubdog.com/service/fromAffiliate.aspx?channelID=160443&amp;amp;referer=40642"&gt;&lt;img alt="Windows Mobile Edition with Hubdog for Pocket PC &amp;amp; SmartPhone" src="http://www.hubdog.com/images/Affiliates/HubdogWindowsMobile_13.gif" border="none" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5011445352831091131-8205902185123244891?l=meusistemanaolinear.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/feeds/8205902185123244891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/2009/02/o-mundo-e-plano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011445352831091131/posts/default/8205902185123244891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011445352831091131/posts/default/8205902185123244891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/2009/02/o-mundo-e-plano.html' title='O Mundo é Plano'/><author><name>Admin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011445352831091131.post-2712299277360255970</id><published>2009-02-01T19:57:00.005-02:00</published><updated>2009-04-09T11:36:07.942-03:00</updated><title type='text'>Descartes e Alan Turing</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Descartes apresenta uma leitura grandiosa da mente humana: com o &lt;b&gt;cogito, ergo sum &lt;/b&gt; propõe um fundamento para consciência que até então carecia de qualquer fundamentação. Além deste ponto de viragem da reflexão sobre si mesmo, outros princípios aparecem em seu Discurso. Uma &lt;i&gt;higiene da mente&lt;/i&gt;, i.e., a necessidade de não tomar como verdadeiro aquilo que não é de todo certo, desmontando o conhecimento até seus alicerces, para construir o saber solidamente. Por fim, algo que ainda me impressiona - e já faz uns vinte anos que li o Discurso sobre o Método -  é a fascinação pela noção de mecanismo que ele atribui aos seres vivos. Observar um animal vivo como um conjunto de mecanismos, válvulas e roldanas funcionando em harmonia, similar ao mecanismo de um relógio. Ok, tudo isso você já sabia do &lt;a href="http://maria-lucia-de-arruda-aranha.comprar-livro.com.br/livros/1851603746/"&gt;Filosofando&lt;/a&gt; lá do Segundo Grau...&lt;br /&gt;      No entanto, sempre pareceu-me dificil escapar ao solipcismo dentro de um esquema cartesiano. Nada, em sua filosofia, servia como base para se construir um mundo exterior ou um Outro. Até recentemente sempre me foi difícil fundamentar racionalmete a existência do mundo com as outras pessoas nele. Se eu utilizasse o argumento cartesiano, que é um argumento de fé e não me serviria de nada, pois nem sei se há um deus ou, se houver algo que o valha, não posso saber que não é um deus enganador. Provavelmente um rato de laboratório se se encontrasse na mesma situação, teria razão em supor que seu mundo exterior é moldado por algum deus enganador que lhe propõe situações as mais desconcertantes - por algum experimentador a conduzir um experimento?&lt;br /&gt;Obviamente Descartes estava preso em um universo conceitual que não lhe permitia propor outra alternativa melhor. Não lhe havia Kant, ou Skinner, nem Chomsky. Nem mesmo Darwin. Uma caracteristica de problemas de natureza filosófica é que muitas vezes a maneira como certas questões são postas impedem qualquer avanço no raciocínio. É necessário por de lado o problema, pois muitas vezes ele se prova inexistente, um falso problema, ou insolúvel em absoluto (o que na prática dá no mesmo).&lt;br /&gt;O problema da dualidade mente corpo é uma herança cartesiana que ainda está bastante presente, embora não seja exposto claramente, mas ainda resta por a claro algumas características de como o corpo e a mente se relacionam. Pondo de lado esse problema, a pesquisa de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Dam%C3%A1sio"&gt;Damásio&lt;/a&gt; parece apontar para a inexistência de um limite entre uma e outra entidade, por assim dizer, a mente acontece no corpo. A noção de &lt;b&gt;teatro do corpo&lt;/b&gt; re-situa a mente como fenômeno do corpo, como um evento que se  dá no e através do corpo. Mesmo a escolha mais racional depende de testar as hipóteses no corpo, da pele às vísceras,  e sentir como ele reage.&lt;br /&gt;Quando situo uma falha no raciocínio cartesiano no que se refere à sua tentativa de fugir ao solipcismo, penso que não poderia em seu racionalismo perceber que a própria capacidade de propor uma  reflexão não está alicercada em si mesmo, mas na existência de um outro que conduziu a reflexão até então. Agora seguindo Descartes: ainda que este outro seja enganador, ainda que cada conhecimento que eu obtenha seja fruto de um engodo, há certos saberes que são evidentes por si mesmos como verdades geométricas e, agora untrapassando descartes, conhecimentos científicos cujas provas possuem carater probabilistico, mas que podem ser testatdas frente ao mundo, deduzo que existe algum outro que já fez as mesmas perguntas que ora coloco. Assim, posso inferir que há outro similar a mim.&lt;br /&gt;Segundo, se há um mundo cuja própria natureza levou a geração de algo tão  improvável como eu, é de se inferir que existam muitas alternativas a mim por aí. Esta reflexão se baseia no princípio de organização dos sistemas com base nas leis da termodinâmica e na evolução, tal como proposto por darwin (explicar isto pode se estender de modo proibitivamente longo, assim se não intuiu onde quero chegar, deixe para lá).&lt;br /&gt;      Por fim,  cabe agora relacionar a magistralidade da reflexão cartesiana ao perceber os mecanismos que regem os seres vivos como mecanicamente determinados. O trabalho de Alan Turing propõe uma leitura científica desse mesmo princípio, explicando algumas regras que podem reger o funcionamento da mente humana com base estritamete mecânica (preservacao da verdade através das sentenças que se encadeiam no processo de pesar).&lt;br /&gt;     Desculpem a obscuridade do texto, como não tenho leitores, posso me dar a esse luxo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.hubdog.com/service/fromAffiliate.aspx?channelID=160443&amp;amp;referer=40642"&gt;&lt;img alt="Windows Mobile Edition with Hubdog for Pocket PC &amp;amp; SmartPhone" src="http://www.hubdog.com/images/Affiliates/HubdogWindowsMobile_13.gif" border="none" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5011445352831091131-2712299277360255970?l=meusistemanaolinear.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/feeds/2712299277360255970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/2009/02/descartes-e-alan-turing.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011445352831091131/posts/default/2712299277360255970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011445352831091131/posts/default/2712299277360255970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/2009/02/descartes-e-alan-turing.html' title='Descartes e Alan Turing'/><author><name>Admin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011445352831091131.post-7348979687610411191</id><published>2008-12-22T10:28:00.002-02:00</published><updated>2009-04-09T11:34:39.838-03:00</updated><title type='text'>Reconhecimento da Consciência em Outros</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É possível reconhecer a consciência em alguém que se me faz presente? A resposta a princípio seria afirmativa, pois o outro responderia às minhas perguntas consistentemente, ou de uma maneira que eu mesmo poderia responder. Agora suponhamos que este outro não fale meu idioma, ou qualquer idioma por mim reconhecível, como julgaria que este outro é um ser consciente? Talvez através de gestos pudéssemos construir um sistema rudimentar de comunicação para as nossas necessidades. Suponhamos agora um caso mais extremo, em que este outro é um idivíduo que perdeu em um acidente a funcionalidade de partes de seu cérebro, como a área de Brock, responsável pela linguagem, suponhamos que o sujeito é afásico, o que poderia eu deduzir sobre este indivíduo se toda tentativa de comunicação me é frustrada? Tornou-se coisa? Na verdade não, imediatamente outros sinais me apontam a presença de uma pessoa ali, por exemplo reações como  o medo, a tristeza, a raiva e a ira, seus agir, podemos em última instância dizer, seu “Olhar”.  Não digo isso de forma poética, digo olhar no sentido mais concreto possível. Aparentemente existe uma tendência para reconhecermos humanidade nos outros humanos, apesar da resistência, também natural, de aceitarmos este outro como igual em estatus ontológico a nós mesmos. Quando os europeus chegaram   à América houve uma pressão para ver o natural, então chamado índio, como desprovido de alma e, portanto, passível de ser usado como coisa: escravizado sem peso na consciência. Mas as evidências eram óbvias demais para serem ignoradas: brutos, estúpidos, ingênuos, lassos, inferiores, sem moral,  mas humanos. O contrário parece ser mais fácil, i.e., humanizar seres não humanos, cães apresentam-se como fortes candidatos à humanidade, quem não percebe pelo olhar de um cão os mesmos sentimentos que em si possui, quantas vezes não reconhecemos o medo, o pedido de proteção, a alegria ao nos reconhecer, a raiva e a frustração, até a culpa e a vergonha. Mas vejamos outras espécies, como entre os ratos, a dedicação da mãe a seus filhotes, o cuidado em mantê-los aquecidos, de ir buscar quando algum sai do ninho, ao atacar um rato invasor que põe em risco seus pequenos e, ao mesmo tempo, o carinho que eles dedicam à mãe, os jogos com seus irmãos, o trabalho conjunto para arrumar a própria casa buscando materiais macios e limpos para preenchê-la. Tudo isso parece muito humano, e diferente dos insetos, ou artrópodos, tão frios. Pense em uma viúva negra ao matar seu par após a cópula, ou besouros que devoram suas próprias larvas se acontecer de estarem por perto quando nascerem.&lt;br /&gt;Enfim, os exemplos servem de alerta para nossas atribuições: atribuímos humanidade com base não racional. Talvez exista algo como um padrão que ao ser reconhecido por nossa mente, logo coloque o objeto analizado em uma espectro de humanidade, e, a partir daí, suas ações são analizadas com base em sua localização no espectro. Quando um cão destrói a camisa de seu dono, podemos logo julgar que ele quer mais atenção, ou que está se vingando por algo que não gostou. Certo, um sagui realmente tem comportamentos de retaliação, um cão não, desde que ele te respeite, não importa o quanto absurda pode ter sido sua reação para com ele, ele vai esperar infeliz até que você o agrade, e quando você o fizer, ele vai se sentir feliz. Se for um sagui, ele vai te morder.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.hubdog.com/service/fromAffiliate.aspx?channelID=160443&amp;amp;referer=40642"&gt;&lt;img alt="Windows Mobile Edition with Hubdog for Pocket PC &amp;amp; SmartPhone" src="http://www.hubdog.com/images/Affiliates/HubdogWindowsMobile_13.gif" border="none" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5011445352831091131-7348979687610411191?l=meusistemanaolinear.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/feeds/7348979687610411191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/2008/12/reconhecimento-da-conscincia-em-outros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011445352831091131/posts/default/7348979687610411191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011445352831091131/posts/default/7348979687610411191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://meusistemanaolinear.blogspot.com/2008/12/reconhecimento-da-conscincia-em-outros.html' title='Reconhecimento da Consciência em Outros'/><author><name>Admin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
